quarta-feira, 20 de outubro de 2010

VLADMI DOS SANTOS NA HOLANDA REPRESENTANDO O BRASIL, O RIO GRANDE DO SUL E RIO GRANDE

Vladmi dos Santos em Amsterdã

O atleta paraolímpico Vladmi dos Santos esteve na capital holandesa, Amsterdã, onde participou de uma das mais importantes maratonas do mundo. Enquanto realizou sua rotina de treinamentos, nosso campeão enviou notícias sobre sua estada no Velho Continente e preparação para a maratona. Hoje ele conta detalhes sobre a prova.
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Domingo foi o grande dia, foi a hora de colocarmos nossos músculos para trabalhar durante os 42km 195m de Amsterdã, em uma manhã muito fria mesmo, tão fria que meus dedos levaram cerca de 14km para poderem parar de doer, nesses momentos que senti a falta que faz uma luva.

Tanto eu, quanto o Alex estávamos muito concentrados na prova, largaram mais ou menos 12 mil atletas apenas na maratona, mas só 7.878 terminaram devido às dificuldades enfrentadas. Entre elas, o frio, muitas retas longas e postos de água muito afastados, por isso, às vezes, ficávamos cerca de 12km sem beber água, não sei se por causa do frio, mas o que importa é que essa água fez muita falta para nós e para os outros diversos que abandonaram a prova.

Largamos dentro do Estádio Olímpico de Amsterdã num ritmo de 4 minutos por quilômetro, o que foi planejado a fim de fazermos um bom tempo e atingirmos uma ótima colocação e assim foi feito quilômetro a quilômetro. Passamos os 21km, metade da prova, em 1h25min40seg. Tudo bem até aí, após 30km estávamos com 2h01min, ainda dentro do previsto. O público de Amsterdã era muito receptivo conosco, o tempo todo gritando "Brasil", pois nosso uniforme indicava a nacionalidade e, além disso, nas costas da minha camiseta, estava escrito "Blind", ou seja, "cego" em inglês. Isso fez com que o público holandês vibrasse ainda mais, pois ficaram encantados com nosso esforço, várias vezes eu me emocionei durante a maratona, era difícil segurar a emoção.

Após o km 37, as temíveis cãibras apareceram e me atingiram de forma devastadora, muitas vezes tive que pedir apoio ao Alex que esticasse minha perna para poder sanar um pouco da dor nas panturrilhas. Ele próprio estava com fortes dores na coxa, isto tudo devido à falta de água no organismo.
Perdemos com isso muitos minutos preciosos, mas de forma alguma baixamos nossa cabeça e, com 40km, tínhamos 2h58min. Ao final, fechamos em 3h13min09seg, doloridos, mas com o dever cumprido, pois sabíamos que, entre os corredores especiais, eramos os primeiros, e depois de tanta dor isso era o mais importante.

Chegamos ao estádio no final, e o locutor anunciou: "Vladmi dos Santos, Rio Grande-Brasil", ouvi os milhares de aplausos da arquibancada e não pude conter as lágrimas e aproveitei para agradecer a Deus pelo dever cumprido. Depois de tudo isso, uma das organizadoras da prova se dirigiu à minha pessoa e disse que eu era o deficiente visual mais rápido que ele já tinha visto na Europa. Levo para Rio Grande a certeza de ter cumprido minha tarefa da melhor forma que me foi oferecida e objetivada, também levando uma medalha que, para mim, tem um valor inestimável, pois lutei muito contra as adversidades para conquistá-las.

Agradeço ao Tecon-RG e ao Gordo Loterias, meus patrocinadores, e ao Jornal Agora, por ter me dado essa oportunidade de, mesmo tão longe, poder me comunicar com o meu povo. Deixo um abraço para o Toninho, amigo e torcedor da Padaria Gaúcha, amigos que me mandaram mensagem pelo diário de bordo, minha família e meu guia Alex Silva. Um forte abraço e muito obrigado por toda torcida e carinho!

Vladmi dos Santos

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