sábado, 30 de outubro de 2010

PLICA SINOVIAL - QUEM DIRIA !!!


 PLICA SINOVIAL
 




 
O que é a plica sinovial?

A plica é uma prega normal na membrana sinovial e geralmente passa despercebida por uma vida inteira. É um tecido característico do período embrionário e que deveria ser absorvido pela cápsula articular, mas pode estar presente no joelho de mais de 70% da população.

O joelho pode conter até 5 plicas,  duas delas são consideradas minidobras e as outras três são estruturas distintas, são elas: suprapatelar (acima da patela), medial (na parte medial do joelho, a mais comum) e infrapatelar (abaixo da patela).


Como ocorre?
Pode se tornar patológica em algumas pessoas devido a:
• Grande quantidade de estresses mecânicos sofridos durante a prática esportiva,
• Uso excessivo da articulação,
• Traumatismos (quedas ou acidentes),
• Desalinhamento do membro inferior,
• Condições inflamatórias locais.
Nesses casos, a plica se inflama e fica mais espessa.



Quais são os sintomas?
Dor e edema na saliência abaixo da patela.



Como é diagnosticada?
A inflama ção e o espessamento da plica causam muita dor.
Não existe predominância de sexo ou idade. A dor geralmente é aguda e vem acompanhada de sensação de queimação, edema e estalos.



Como é tratada?
O tratamento inicial é de aplicação de gelo, uso de antiinflamatórios, repouso das atividades físicas e fisioterapia. Quando não se obtém melhora, o médico poderá optar por uma aplicação local de corticoesteróide (infiltração) e, em último caso, por uma artroscopia.



Exercícios de reabilitação da plica sinovial
Os exercícios a seguir são apenas um guia de tratamento básico, por isso o paciente deve fazer a reabilitação acompanhado de um fisioterapeuta, para que o programa seja personalizado.
A fisioterapia conta com muitas técnicas e aparelhos para atingir os objetivos, como: analgesia, fortalecimento muscular, manutenção ou ganho da amplitude de movimento de uma articulação, etc, e por isso, o tratamento não deve ser feito sem a supervisão de um
profissional.



1 - Alongamento dos Isquiotibiais:

Deitar de costas no chão, com as nádegas próximas ao batente de uma porta aberta, de forma que a perna sã fique totalmente estendida através dela.

A perna lesionada deve estar sempre levantada e encostada contra a parede, de modo que seu calcanhar descanse contra o batente. 

Um alongamento muito forte será sentido na parte posterior da coxa.

Manter por 60 segundos e repetir 3 vezes.




2 - Alongamento do Quadríceps:

Em pé, de cabeça erguida, manter o lado são do seu corpo junto a uma parede e apoiar a mão contra ela.

Com a outra mão, segurar o tornozelo da perna lesionada e levar o calcanhar para cima, em direção à nádega. 

Não enrolar ou girar as costas.  Repetir 3 vezes.


3 - Elevação Com a Perna Estendida:

Com o joelho da perna operada, totalmente estendido na cama, elevar a perna, manter alguns segundos e descer.

Repetir 10 vezes.


4 - Flexão de Bruços do Joelho:


Deitar sobre o abdômen, com as pernas estendidas.

Flexionar o joelho do lado lesionado até que o calcanhar se encontre com as nádegas.

Voltar à posição inicial e repetir 10 vezes o exercício. 

Fazer 3 séries.

Quando ficar fácil, pesos podem ser colocados no tornozelo.

FONTE: CLÍNICA DECKERS
© Clínica Deckers - Av. Europa, 887 Jd. Europa - São Paulo / SP - Tel.: (11) 3065 1299 begin_of_the_skype_highlighting              (11) 3065 1299     

sábado, 23 de outubro de 2010

TREINO DE 25 KM EM PREPARAÇÃO À 5ª VOLTA DA ILHA DOS MARINHEIROS EM NOVEMBRO

Sexta feira 22/10 exatamente às 18h, larguei para mais um treino de longa distância com 26 km a serem percorridos, do Jardim do Sol até a Prefeitura Municipal +/- 13 km e retornando ao ponto de saída. Rítmo leve em torno de 5min/km, na ida passei por alguns conhecidos, dentre os quais destaco o amigo Marlos em seu "possante" próximo ao Posto Point no pórtico de entrada da cidade. Passados 10km ( 49') já no cemitério encontrei o Roner (Clucorg/Comel) também correndo porém na direção contrária a minha, onde passou a acompanhar-me, fomos até a Prefeitura (1h03') e retornamos, trânsito intenso e muitos pedestres, esse horário é bem complicado para nós corredores, ao voltarmos passamos em uma padaria e compramos um repositor energético pois já havíamos passado de 1h sem reposição de líquidos. Comecei a sentir cansaço aproximadamente nos 20 km, quando soltei um pouco o corpo e diminui a passada, e o Roner falava: " Guenta cara, falta pouco! " e realmente faltava, não seria ali que iría parar. Enfim, fechados 26km com 2h 15' 35"(UFA! CONSEGUI)

Espero ter êxito na prova da Ilha, pois nos longos superei minhas expectativas, agora no domingo24/10 farei um treininho leve de 10km, rsrsrsrs !!!


Abraços aos amigos que curtem o esporte e até mais. Vamos correr JUNTOS ?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

VLADMI DOS SANTOS NA HOLANDA REPRESENTANDO O BRASIL, O RIO GRANDE DO SUL E RIO GRANDE

Vladmi dos Santos em Amsterdã

O atleta paraolímpico Vladmi dos Santos esteve na capital holandesa, Amsterdã, onde participou de uma das mais importantes maratonas do mundo. Enquanto realizou sua rotina de treinamentos, nosso campeão enviou notícias sobre sua estada no Velho Continente e preparação para a maratona. Hoje ele conta detalhes sobre a prova.
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Domingo foi o grande dia, foi a hora de colocarmos nossos músculos para trabalhar durante os 42km 195m de Amsterdã, em uma manhã muito fria mesmo, tão fria que meus dedos levaram cerca de 14km para poderem parar de doer, nesses momentos que senti a falta que faz uma luva.

Tanto eu, quanto o Alex estávamos muito concentrados na prova, largaram mais ou menos 12 mil atletas apenas na maratona, mas só 7.878 terminaram devido às dificuldades enfrentadas. Entre elas, o frio, muitas retas longas e postos de água muito afastados, por isso, às vezes, ficávamos cerca de 12km sem beber água, não sei se por causa do frio, mas o que importa é que essa água fez muita falta para nós e para os outros diversos que abandonaram a prova.

Largamos dentro do Estádio Olímpico de Amsterdã num ritmo de 4 minutos por quilômetro, o que foi planejado a fim de fazermos um bom tempo e atingirmos uma ótima colocação e assim foi feito quilômetro a quilômetro. Passamos os 21km, metade da prova, em 1h25min40seg. Tudo bem até aí, após 30km estávamos com 2h01min, ainda dentro do previsto. O público de Amsterdã era muito receptivo conosco, o tempo todo gritando "Brasil", pois nosso uniforme indicava a nacionalidade e, além disso, nas costas da minha camiseta, estava escrito "Blind", ou seja, "cego" em inglês. Isso fez com que o público holandês vibrasse ainda mais, pois ficaram encantados com nosso esforço, várias vezes eu me emocionei durante a maratona, era difícil segurar a emoção.

Após o km 37, as temíveis cãibras apareceram e me atingiram de forma devastadora, muitas vezes tive que pedir apoio ao Alex que esticasse minha perna para poder sanar um pouco da dor nas panturrilhas. Ele próprio estava com fortes dores na coxa, isto tudo devido à falta de água no organismo.
Perdemos com isso muitos minutos preciosos, mas de forma alguma baixamos nossa cabeça e, com 40km, tínhamos 2h58min. Ao final, fechamos em 3h13min09seg, doloridos, mas com o dever cumprido, pois sabíamos que, entre os corredores especiais, eramos os primeiros, e depois de tanta dor isso era o mais importante.

Chegamos ao estádio no final, e o locutor anunciou: "Vladmi dos Santos, Rio Grande-Brasil", ouvi os milhares de aplausos da arquibancada e não pude conter as lágrimas e aproveitei para agradecer a Deus pelo dever cumprido. Depois de tudo isso, uma das organizadoras da prova se dirigiu à minha pessoa e disse que eu era o deficiente visual mais rápido que ele já tinha visto na Europa. Levo para Rio Grande a certeza de ter cumprido minha tarefa da melhor forma que me foi oferecida e objetivada, também levando uma medalha que, para mim, tem um valor inestimável, pois lutei muito contra as adversidades para conquistá-las.

Agradeço ao Tecon-RG e ao Gordo Loterias, meus patrocinadores, e ao Jornal Agora, por ter me dado essa oportunidade de, mesmo tão longe, poder me comunicar com o meu povo. Deixo um abraço para o Toninho, amigo e torcedor da Padaria Gaúcha, amigos que me mandaram mensagem pelo diário de bordo, minha família e meu guia Alex Silva. Um forte abraço e muito obrigado por toda torcida e carinho!

Vladmi dos Santos

domingo, 17 de outubro de 2010

3ª ETAPA GRAN CORRIDAS DE RUA ACORRG 2010 - HOMENAGEM AOS 10 ANOS AMIGO DO ESPORTE JORNAL AGORA

Galera, mais uma etapa concluída do Gran Corridas de Rua da ACORRG, muito vento o que proporcionou o aumento dos tempos da maioria dos atletas. No masculino deu MARCOS NUNES ( Regatas/Madalena Calçados ) e no feminino mais uma vez quem cruzou em primeiro lugar foi FÁTIMA  GUIMARÃES
( Regatas/Policlínica).
Fechei na 26ª posição com tempo de 47'30".
Abaixo fotos do evento, abraço a todos e até a próxima... 





sábado, 16 de outubro de 2010

5ª Volta Ecológica da Ilha já tem inscrições abertas

Uma das provas mais charmosas do atletismo rio-grandino acontecerá no dia 21 de novembro. Organizada pela Associação dos Corredores de Rua do Rio Grande (Acorrg), a Volta da Ilha chega à sua quinta edição, em prova alusiva aos 95 anos do Porto do Rio Grande. Além da atração principal que é a Volta da Ilha de 24km, acontece paralelamente a quinta Rústica 10km, a quinta Maratoninha 2km e a quarta Caminhada Ecológica 5km. O evento ainda tem o apoio da Secretaria Municipal de Turismo, Esportes e Lazer (SMTEL).
A largada da prova está programada para as 10h, na Ilha dos Marinheiros, localidade da Marambaia. As inscrições podem ser feitas até o dia 12 de novembro, através do site www.acorrg.com.br, onde o atleta recebe todas as instruções para o modo de pagamento da taxa de inscrição. Sócios e dependentes da Acorrg com carência de três meses são isentos da taxa de inscrição. Os demais pagam R$ 30 para participar da 5ª Volta Ecológica da Ilha, R$ 25 para a Rústica de 10 km ou R$ 15 para a Caminhada Ecológica de 5km. A Maratoninha 2km não tem taxa de inscrição. Idosos - a partir dos 60 anos - pagam metade da inscrição. Este ano a novidade fica por conta do alojamento para os 100 primeiros inscritos. Não haverá inscrição na hora da prova nem entrega de kits no local do evento.
No dia 20 de novembro (sábado), das 9h às 16h, na antiga estação férrea, acontece a entrega dos kits, mediante entrega do comprovante original de pagamento de inscrição. O atleta receberá o número e o ingresso do almoço, e aqueles que participarem da volta e da rústica ganharão uma camiseta. Será disponibilizado um ônibus, às 7h30min, em frente à Prefeitura, e alojamento com retorno às 18h. Após a prova haverá almoço, acompanhantes pagam R$ 10, crianças até oito anos não pagam e de nove a 12 anos pagam R$ 5. Serão servidos galeto, saladas e macarrão. Os ingressos podem ser adquiridos na sede da Acorrg, localizada na rua República do Líbano, 204.
Este ano a organização da prova promete premiação em dinheiro, na Volta Ecológica, para os cinco primeiros dos naipes masculino e feminino, além dos três primeiros colocados em cada categoria, dividida de quatro em quatro anos. Os cinco primeiros nos naipes masculino e feminino levam troféus, e os demais recebem medalhas, também na Rústica e na Maratoninha. Na Caminhada Ecológica todos recebem medalhas de participação. Na edição do ano passado, dia 15 de novembro, a largada da prova aconteceu na Igreja Nossa Senhora da Saúde, na qual participaram 49 atletas. O vencedor foi o atleta Alex Silva, que atualmente também atua como atleta-guia de Vladmi dos Santos, com o tempo de 1h24min26seg, e na categoria feminino, Daniela Lourenço venceu com o tempo de 1h49min20seg.
O evento tem apoio da Prefeitura Municipal, da SMHADU, da SMSTT, da Guarda Municipal, da Secretaria da Saúde, da Smec, do 6º BPM, do 6° GAC, da Unimed, do Gabinete de Imprensa, da SMCAS, da SMSU, da SEC, da Secretaria do Meio Ambiente, da Secretaria da Agricultura, da Smov, do Sesc, do Grupo de Escoteiros Fênix e da comunidade da Marambaia.
Treinamento
No dia 24 acontece treinamento na Ilha dos Marinheiros. A saída será às 8h, em frente à Prefeitura Municipal, e o retorno acontece às 16h. Após o treino será servido um galeto, sendo que os participantes devem levar um quilo de coxa/sobrecoxa, sua bebida e talheres. A presença no treinamento pode ser confirmada através do telefone 9958.3936.
Por Jose Finkler

finkler@jornalagora.com.br

domingo, 10 de outubro de 2010

ÚLTIMA ETAPA CIRCUITO ASESP EM 2010 - FIERGS SESI - 15KM

A prova em si teve 90 atletas das mais variadas regiões do estado das quais:
Erechim
Canoas
Guaiba
Marau
Novo Hamburgo
Pelotas
Passo Fundo
Portão
São Leopoldo
Sapucaia do Sul
Caxias Do Sul
Rio Grande
Bagé
Capão do Leão
São José do Norte
Além das equipes:
Afurg/ascorp/acorrg/acorba/ascon/camarig/clucorg/decide e regatas.


Dia agradável, um pouco de vento e organização nota 10, a começar pela pontualidade na LARGADA onde no masculino percorremos os 15km com cada volta de 2,5 km totalizando 6 voltas e no feminino foram 4 voltas total de 10km. Postarei algumas fotos as quais tiramos antes, durante e após a prova. Ainda não tenho os resultados, mas sei que no masculino o vencedor foi Marcos Nunes, também não sei minha colocação, fechei com 1h 13'40", minha expectativa seria para 1h15'.







sábado, 2 de outubro de 2010

TREINO DE 24 KM PARA VOLTA DA ILHA EM NOVEMBRO

Hoje(02/10) pela manhã bem cedinho, mais precisamente às 06:30h,tava bem friozinho e não dispensei a camisa térmica, sai para meu primeiro treino, foi mais um LONGÃO de 24 km, tava tranquilo na ida. Saí do J.Sol percorri a ERS-734 até a entrada da cidade, peguei a Presidente Vargas até a Rheingantz, entrei na 24 de maio até a Marechal Floriano dali até a Prefeitura Municipal, onde segui pela Gen. Neto até o BIG e voltei pela Rheingantz fazendo o percurso de volta até chegar totalmente extasiado, muito cansado mesmo, pois tinha muito vento, e no Posto da Polícia Rodoviária Estadual reduzi as passadas e segui com uma caminhada,  onde pelos meus cálculos fechavam os 24 km ( ida e volta ), com velocidade média aproximada de 5min/km, totalizando 2h 4' e alguns segundos que não cheguei a verificar precisamente.
DESEJO A TODOS OS CORREDORES UM ÓTIMO PLEITO NESTE 03/OUT, E QUE ESCOLHAM COM ATENÇÃO SEUS CANDIDATOS. 
DICA : GUARDEM OS NOMES DOS SEUS CANDIDATOS, POIS CASO SEJAM ELEITOS, VOCÊ PODERÁ DAQUI 4 ANOS VERIFICAR SE SUA ESCOLHA DE AGORA FOI A MAIS ACERTADA.

ABRAÇOS, ATÉ AS PRÓXIMAS POSTAGENS.

NÃO ESQUEÇAM: 
DIA 10 10 2010 TEM 15 KM DA ASESP - ETAPA FINAL DO CIRCUITO
DIA 17 10 2010 TEM A 3ª ETAPA DO GRAN
DIA 21 11 2010 A 5ª VOLTA DA ILHA DOS MARINHEIROS

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A GUERRA DOS TÊNIS (REVISTA RUNNER'S BRASIL)

De um lado, com apoio do governo brasileiro, a Olympikus. Do outro, as principais marcas esportivas mundiais. A briga por esse bilionário mercado já pesa no seu bolso. E pode piorar !

Por Camila Fontana | Ilustrações Estúdio 1+2
Os preços dos tênis de corrida estão altos, certo? Pois prepare-se: se uma nova legislação de comércio exterior for de fato colocada em prática, trocar o principal acessório da corrida vai ficar ainda mais caro para os brasileiros. A escalada dos preços começou quando o governo determinou em setembro do ano passado uma sobretaxa provisória de 12,47 dólares a cada par de calçado vindo da China. A justificativa era que aquele país estava despejando no Brasil produtos a preços mais baixos que no mercado chinês, uma prática conhecida como dumping — considerada predatória e passível de retaliação pela Organização Mundial do Comércio. Em março deste ano, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) elevou a sobretaxa para 13,85 dólares e tornou-a definitiva.
As grandes marcas internacionais, como Nike, Adidas e Asics, conseguiram "driblar" a sobretaxa com um rearranjo logístico: intensificaram a importação de produtos de outros países e assim suavizaram o aumento dos preços por aqui. Mas a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados, cuja principal voz nessa questão é a marca Olympikus) voltou à carga e acusa os importadores de desviar produção da China para países como Malásia, Vietnã e Indonésia (a chamada "triangulação"), o que contraria as regras do comércio internacional. A associação exigiu que a sobretaxa fosse estendida também à mercadoria trazida dessas nações — pleito que foi atendido pela Camex em nova regulamentação em 17 de agosto. Para que a sobretaxa aos demais países seja aplicada na prática, entretanto, o governo precisa comprovar em uma investigação que a triangulação de fato existe. Nesse meio-tempo, as marcas internacionaistentam com audiências formais e lobby derrubar a medida.
Já aumentou
No geral, depois da sobretaxa chinesa, o reajuste para os tênis top de linha das principais marcas variou de 8% a 12%, o que se traduziu em 50 a 60 reais a mais por par para o consumidor final, de acordo com Renato Zimmermann, sócio-diretor da Bayard Esportes, rede de artigos esportivos com dez lojas na cidade de São Paulo. Para um corredor assíduo que troca de tênis a cada três meses, o gasto anual já aumentou em mais de 200 reais — uma conta que pode dobrar se a sobretaxa for de fato estendida a outros países. Os preços dos melhores tênis vão subir mais 50 a 70 reais por par, segundo Giovani Decker, vice-presidente da Asics no Brasil. Assim como todas as grandes marcas esportivas estrangeiras, a Asics afirma que o governo errou ao aplicar a sobretaxa antidumping aos tênis de alta tecnologia vindos da China e ampliaria o erro ao impor a multa a esse tipo de produto vindo de outros países. "Não se pode misturar calcado esportivo de performance com o normal. Categoricamente, no mercado esportivo não existe dumping", afirma Decker.
Mas o governo achou que a prática predatória existe e isentou da sobretaxa apenas sandálias de couro, chinelos de borracha, sapatilhas de balé, patins. Favoreceu até as pantufas, mas deu sinal vermelho aos tênis para prática de esportes. Não só isso: as autoridades agilizaram o processo para estender o imposto após a Abicalçados apresentar dados sugerindo que empresas estrangeiras mudaram a origem da mercadoria importada para evitar a taxação.
Segundo números da Secretaria de Comércio Exterior compilados pela Abicalçados, a Malásia, por exemplo, que de janeiro a julho do ano passado exportou menos de 12000 pares de calçados para o Brasil, já mandou quase 3 milhões de pares pra cá este ano (veja tabela). No caso da China, a exportação para o Brasil caiu de 17,6 milhões de pares para 7,2 milhões. Na opinião do presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, esses dados indicam que exportadoras estão fraudando documentos de origem ou enviando da China calçados em partes para serem montados em outros países. No caso dos tênis de corrida, Cardoso, que também preside a Vulcabrá, maior fabricante de calçados esportivos da América Latina e dona das marcas Olympikus e Reebok, diz ter observado que a mercadoria que vinha predominantemente da China agora passou a vir principalmente do Vietnã.
Tênis de outros países que não a China ainda não foram sobretaxados como quer Cardoso porque a regulamentação necessária para colocá-la em prática só foi aprovada pela Procuradoria-geral da Fazenda Nacional em 17 de agosto. A aprovação aconteceu duas semanas depois de uma reclamação em praça pública do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, contra o colega da Fazenda, Guido Mantega. Quando questionado sobre o prazo para a regulamentação da lei contra triangulação, Jorge disse: "Não há previsão porque depende de outro ministério. Se fosse do nosso ministério, já teria sido aprovada. Eu já falei com o ministro e se vocês puderem fazer mais um pedido ao Mantega seria ótimo, porque nós precisamos disso".
O ministro Jorge provavelmente não se referia a você, valente corredor que fica mais pobre a cada troca de tênis, mas a Abicalçados garante que, desde que a sobretaxa antidumping foi aplicada contra a China em caráter provisório em setembro de 2009, as fabricantes brasileiras de calçados criaram 60000 novos postos de trabalho, sem contar as vagas geradas na cadeia produtiva que inclui curtumes, tecelagens e fábricas de maquinário e borracha.
A medida antidumping, no entanto, não foi bem-vinda por outras empresas brasileiras de material esportivo, como Cambuci (dona da Penalty) e São Paulo Alpargatas (detentora das marcas Topper e Rainha e revendedora da Mizuno), que também trazem mercadoria da Ásia. A São Paulo Alpargatas entrou com uma ação no Supremo Tribunal de Justiça contra a cobrança da sobretaxa ao calçado chinês. Não se acha representada pela Abicalçados, que apresentou a petição denunciando o dumping.


Todos contra a Olympikus
Como era de esperar, as marcas estrangeiras fazem coro com a Alpargatas no questionamento do papel da dona da Olympikus. A Vulcabras "é a única empresa beneficiada pela tarifa", afirma Decker, da Asics, acrescentando que as marcas estrangeiras também colaboram para o emprego no país porque contratam a produção de tênis, roupas e acessórios de empresas terceirizadas como Pettenati Indústria Têxtil e Paquetá Calçados, ambas do Rio Grande do Sul. Perguntado sobre o impacto da sobretaxa antidumping nas vendas da Olympikus, Cardoso disse: "Quando você concorre com algumas empresas que usam práticas desleais de comércio e o governo coloca uma medida que as impede de praticar irregularidades, você passa a ser mais competitivo".
Apesar de todas as batalhas perdidas até agora, as marcas estrangeiras avisam que não vão jogar a toalha — e agora contam formalmente com aliadas nacionais para tentar convencer o governo a reverter a punição aos tênis esportivos. Nike, Adidas, Asics, Puma, New Balance, Skechers, Penalty/Cambuci e São Paulo Alpargatas divulgaram em 25 de agosto a formação de um grupo que vai tentar retomar as negociações com o governo, com o objetivo de isentar o calçado esportivo de alta tecnologia da medida antidumping ou reduzir a taxa cobrada.
Segundo representantes das multinacionais, uma parcela expressiva dos tênis vendidos no mercado brasileiro é fabricada aqui, mas os modelos de alta performance só são produzidos em um punhado de fábricas na Ásia por questões tecnológicas e de escala, o que significa que toda a produção de determinado modelo de ponta é concentrada em uma ou duas unidades no mundo para minimizar o custo de uma mercadoria cara por natureza. Pelas contas da Adidas, o mercado brasileiro consumiria até 10 milhões de pares de tênis de alta performance por ano. Segundo o diretor de marketing Rodrigo Messias, a intenção da Adidas e das outras marcas do grupo é batalhar pelo fim da taxa antidumping sobre os tênis que custam acima de 400 reais para o consumidor. "A gente ficaria contente em segmentar por calçado esportivo de alta performance porque o calçado esportivo normal todo mundo fabrica aqui", afirma Mario Andrada e Silva, diretor de comunicação da Nike para a América Latina.
Como moeda de troca, as multinacionais estão dispostas a negociar com o governo a transferência de mais produção (e empregos) para o Brasil. O novo grupo formado pelas marcas esportivas internacionais e nacionais tenta iniciar as conversas com as autoridades num momento em que o governo prepara as investigações para definir quais países além da China sofrerão a sobretaxa. O setor corre contra o tempo para impedir que a extensão da sobretaxa atrapalhe a importação de mercadoria destinada às vendas de Natal.
Se o governo não voltar atrás, a alternativa para os corredores é comprar tênis de preço e qualidade inferiores ou dar um jeito de trazer o produto de ponta do exterior. Segundo a Bayard Esportes, enquanto o número de praticantes de corrida aumenta de 15% a 20% ao ano, as vendas de calçados para essa modalidade ficaram estacionadas desde a aplicação da sobretaxa, num sinal de que a demanda está sendo suprida por material vindo de fora. "Nosso cliente viaja, até para correr maratonas, ou alguém do seu círculo viaja", explica o sócio-diretor Zimmermann, acrescentando que as medidas do governo podem afastar empresas de artigos esportivos com pouco tempo de operação no país.
"Algumas marcas mais recentes estão repensando a viabilidade delas no Brasil."As marcas consolidadas claramente não irão embora do Brasil de mala e cuia, mas estudam reduzir a variedade de produtos no mercado nacional porque os consumidores estão rejeitando os preços mais elevados resultantes da tarifa antidumping. "O que não queremos como marca é nos distanciar do corredor high performance. Eu não posso sair desse mercado, mesmo perdendo dinheiro. Mas em vez de trazer dez modelos eu posso só trazer sete. O mercado não suporta um aumento de preços da nossa parte", afirma Messias, da Adidas.

FONTE: REVISTA RUNNER'S BRASIL